Vai depender do caso concreto, para Colendo Superior Tribunal de Justiça o mero erro da modalidade licitatória não é caso de Improbidade Administrativa.
Entretanto no caso de erro de licitação em que o vencedor da modalidade licitatória seja a filha do prefeito, sobrinhos etc, o STJ entende que é caso se improbidade administrativa.
Um ato que isoladamente não configura improbidade administrativa, quando
combinado com outros, pode caracterizar a conduta ilícita, conforme
entendimento da Segunda Turma do STJ. A hipótese ocorreu com um prefeito que
realizou licitação em modalidade inadequada, afinal vencida por empresa
que tinha sua filha como sócia. [1].
Segundo o ministro Mauro Campbell, relator do REsp 1.245.765, a participação da filha do prefeito em quadro societário de empresa vencedora de licitação, isoladamente, não constituiu ato de improbidade administrativa. A jurisprudência também não enquadra na LIA (Lei de Improbidade Administrativa) uma inadequação em licitação, por si só. “O que se observa são vários elementos que, soltos, de per si, não configurariam, em tese, improbidade administrativa, mas que, somados, formam um panorama configurador de desconsideração do princípio da legalidade e da moralidade administrativa, atraindo a incidência do artigo 11 da Lei 8.429”, afirmou Campbell.
Segundo o ministro Mauro Campbell, relator do REsp 1.245.765, a participação da filha do prefeito em quadro societário de empresa vencedora de licitação, isoladamente, não constituiu ato de improbidade administrativa. A jurisprudência também não enquadra na LIA (Lei de Improbidade Administrativa) uma inadequação em licitação, por si só. “O que se observa são vários elementos que, soltos, de per si, não configurariam, em tese, improbidade administrativa, mas que, somados, formam um panorama configurador de desconsideração do princípio da legalidade e da moralidade administrativa, atraindo a incidência do artigo 11 da Lei 8.429”, afirmou Campbell.
Nesse sentido segue a ementa do Leanding Case citado:
ADMINISTRATIVO.
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. CARTA-CONVITE. MODALIDADE DE LICITAÇÃO
INADEQUADA. LICITANTE VENCEDORA. QUADRO SOCIETÁRIO. FILHA DO PREFEITO. VIOLAÇÃO
AO ART. 11 DA LEI N. 8.429⁄92. CARACTERIZAÇÃO. PREJUÍZO AO ERÁRIO.
DESNECESSIDADE. 1. Trata-se de ação
civil pública por ato de improbidade administrativa ajuizada em face de
ex-Prefeito e de sociedades empresárias (postos de gasolina) em razão da
contratação alegadamente ilegal dos referidos postos pela Municipalidade. A ação
é fundada no art. 11 da Lei n. 8.429⁄92. 2. Nas razões recursais, sustenta o
Ministério Público estadual ter havido violação aos arts. 4º, 11 e 21 da Lei n.
8.429⁄92, uma vez que (i) fere a moralidade administrativa a contratação de
empresa cujo quadro societário conta com filha de Prefeito e (ii) está
caracterizada a má-fé na espécie, a teor do fracionamento indevido do objeto
licitado e dos diversos favorecimentos pessoais ocorridos. 3.
Resumidamente, foram os seguintes os argumentos da instância ordinária para afastar
o pedido de condenação por improbidade administrativa formulado pelo recorrente
com base no art. 11 da Lei n. 8.429⁄92: (a) realização de licitação prévia para
a contratação; (b) inexistência de prejuízo ao erário; e (c) não-comprovação de
dolo ou má-fé dos envolvidos. Trechos dos acórdãos recorridos. 4. Como se
observa, os fatos estão bem delimitados pela origem no acórdão da apelação, que
foi confirmado pelo acórdão dos embargos infringentes, o que está sujeita a
exame nesta Corte Superior é a simples qualificação jurídica desse quadro
fático-probatório, não sendo aplicável, pois, sua Súmula n. 7. 5. Em primeiro
lugar, é de se afastar o argumento (b), retro, porque pacífico no Superior Tribunal de Justiça entendimento segundo
o qual, para o enquadramento de condutas no art. 11 da Lei n. 8.429⁄92, é
despicienda a caracterização do dano ao erário e do enriquecimento ilícito.
Confiram-se os seguintes precedentes: REsp 1.119.657⁄MG, Rel. Min. Eliana
Calmon, Segunda Turma, DJe 30.9.2009, e REsp 799.094⁄SP, Rel. Min. Teori Albino
Zavascki, Primeira Turma, DJe 16.9.2008. 6. Em segundo lugar, acredito que a
análise do argumento (a) está essencialmente ligada ao enfrentamento do
argumento (c).
7.
Não há como afastar a conclusão da origem no sentido de que, isoladamente,
o simples fato de a filha do Prefeito compor o quadro societário de uma das
empresas vencedora da licitação não constitui ato de improbidade
administrativa. 8. Ocorre que, na hipótese dos autos, este não é um dado
isolado. Ao contrário, a perícia - conforme consignado no próprio acórdão
recorrido - deixou consignado que a modalidade
de licitação escolhida (carta-convite) era inadequada para promover a
contratação pretendida, em razão do valor do objeto licitado. 9. Daí
porque o que se tem, no caso concreto, não é a formulação, pelo Parquet
estadual, de uma proposta de condenação por improbidade administrativa com
fundamento único e exclusivo na relação de parentesco entre o
contratante e o quadro societário da empresa contratada. 10. No esforço de desenhar
o elemento subjetivo da conduta, os aplicadores da Lei n. 8.429⁄92 podem e
devem guardar atenção às circunstâncias objetivas do caso concreto, porque, sem
qualquer sombra de dúvida, elas podem levar à caracterização do dolo, da má-fé.
11. Na verdade, na hipótese em exame - lembre-se: já se adotando a melhor
versão dos fatos para os recorridos -, o que se observa são vários elementos que, soltos, de per
se, não configurariam em tese improbidade administrativa, mas que, somados,
foram um panorama configurador de desconsideração do princípio da legalidade e
da moralidade administrativa, atraindo a incidência do art. 11 da Lei n.
8.429⁄92. 12. O fato de a filha do Prefeito compor uma sociedade
contratada com base em licitação inadequada, por vícios na escolha de
modalidade, são circunstâncias objetivas (declaradas no acórdão recorrido) que
induzem à configuração do elemento subjetivo doloso, bastante para, junto com
os outros elementos exigidos pelo art. 11 da LIA, atrair-lhe a incidência. 13.
Pontue-se, antes de finalizar, que a prova do móvel do agente pode se tornar
impossível se se impuser que o dolo seja demonstrado de forma inafastável,
extreme de dúvidas. Pelas limitações de tempo e de procedimento mesmo,
inerentes ao Direito Processual, não é factível exigir do Ministério Público e
da Magistratura uma demonstração cabal, definitiva, mais-que-contundente de
dolo, porque isto seria impor ao Processo Civil algo que ele não pode alcançar:
a verdade real. 14. Recurso especial provido. (RECURSO ESPECIAL Nº 1.245.765
– MG, Relator Min. Mauro Campbell Marques- Julgado em 28 de junho de 2011, - DJe: 03/08/2011). (grifo
nosso).
[1] http://www.stj.gov.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=103422
Nenhum comentário:
Postar um comentário